Encarar desafios para viver esse sonho

Informe-se

Para tomar uma decisão segura e que te traga amor e tranquilidade, conheça todas as suas possibilidades para se tornar um pai/mãe biológico. Informe-se sobre a regulamentação no Brasil para a reprodução assistida, converse com amigos que já passaram pelo que você vai encarar e não demore para buscar um médico especialista. Quanto antes você começar a se familiarizar com essas questões, melhor preparado você estará para superar os desafios. Não esqueça de se familiarizar também sobre aspectos burocráticos e legais que podem parecer distantes, mas que serão fundamentais para garantir seu bem-estar (e do bebê) no futuro. Você terá licença-maternidade/paternidade? Você precisa checar alguma questão com seu empregador ou plano de saúde? Você terá direitos legais sobre a criança ou só seu parceiro?

Pense em longo prazo

Os tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, têm diferentes etapas e podem levar tempo.2 Se você sonha em ter um bebê um dia (ou mesmo que não sonhe, mas queira deixar essa possibilidade viva), pense em longo prazo. Os transgêneros, por exemplo, devem preferencialmente pensar sobre sua fertilidade (e o congelamento de gametas) antes do início de qualquer tratamento para a mudança de sexo, já que eles podem impactar na fertilidade.3 Mesmo que ter filhos biológicos não esteja entre seus desejos e muito menos prioridades hoje, pode ficar mais difícil ter sucesso se você deixar algumas decisões para depois.

Busque profissionais de confiança e com experiência LGBTI

Pode ser mais difícil encontrar profissionais com experiência em técnicas de reprodução assistida para pessoas e casais LGBTI, mas pode valer a pena, deixando vocês mais seguros e acolhidos. Isso vale para a clínica de fertilização, a equipe médica e até para a doula ou enfermeira que assistirão vocês na hora do parto. Cerquem-se de pessoas que saberão advogar por aquilo que vocês querem!

Planeje-se financeiramente

Casais ou indivíduos LGBTI precisam recorrer às técnicas de reprodução assistida para terem filhos biológicos,4 e como quase sempre há custos envolvidos, o melhor a fazer é planejar suas finanças com a maior antecedência possível.

Busque apoio emocional

Se solteiros e casais heterossexuais que têm dificuldade para engravidar já podem sofrer um abalo em sua qualidade de vida, os LGBTI podem ter uma carga emocional ainda maior. Tentem não passar por isso tudo sozinhos(as): busquem ajuda em grupos de apoio, conversem com amigos e familiares selecionados e, se possível, busquem ajuda com um psicólogo.

Com todas as possibilidades que a reprodução assistida e a fertilização in vitro oferecem hoje, a maior barreira para a maternidade/paternidade biológica de LGBTIs pode ser a social, e não médica/biológica. Mantenham-se fortes e sigam seus sonhos, amor é amor!

Referências

  1. MedlinePlus. In vitro fertilization (IVF). Disponível em https://medlineplus.gov/ency/article/007279.htm. Acesso em 02/03/2018 às 11:19.
  2. Mayo Clinic. In vitro fertilization (IVF). Disponível em https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/in-vitrofertilization/about/pac-20384716. Acesso em 25/02/2018 às 23:55.
  3. Obedin-Maliver J, Makadon HJ. Transgender men and pregnancy. Obstetric Medicine. 2016;9(1):4-8. doi:10.1177/1753495X15612658.
  4. Jin H, Dasgupta S. Disparities between online assisted reproduction patient education for same-sex and heterosexual couples. Hum Reprod. 2016 Oct;31(10):2280-4. doi: 10.1093/humrep/dew182. Epub 2016 Aug 16.
Conteúdos mais acessados