Métodos contraceptivos

Métodos contraceptivos

Descubra se o uso de métodos contraceptivos pode alterar sua fertilidade

Hoje em dia, com a variedade cada vez maior de métodos contraceptivos disponíveis tanto para homens quanto mulheres, as pessoas estão passando a maior parte de suas vidas reprodutivas evitando a reprodução.1 Mas você já parou para pensar se a escolha do método contraceptivo pode ter um efeito em sua fertilidade e capacidade futura de engravidar?2

A boa notícia é que são poucos os métodos contraceptivos que, após seu uso, influenciam negativamente na possibilidade de engravidar no futuro e isso raramente ocorre de maneira permanente.2 Na verdade, as vantagens desses métodos são em geral maiores do que os problemas que eles trazem, e alguns podem até melhorar indiretamente a fertilidade futura da mulher.2

A pílula anticoncepcional afeta a fertilidade da mulher?

É comum achar que o uso prolongado da pílula anticoncepcional pode causar dificuldade ou demora para engravidar, mas isso não passa de um mito.3 O método contraceptivo não só não afeta a fertilidade, como ajuda a preservá-la de certo modo ao reduzir os riscos de problemas que podem prejudicar a saúde reprodutiva.2,3

Durante o ciclo menstrual, as células do ovário reagem à liberação do óvulo, existindo a chance de ocorrer um erro que leve à formação do câncer.3 A pílula previne isso ao colocar os ovários “para dormir” por um tempo, já que não há ovulação.3 Assim, o método reduz as chances de câncer nos ovários em 50% e de câncer no útero em 80%.3

Além disso, a fertilidade retoma seu rumo normal assim que se para de tomar a pílula, então a ovulação recomeça dentro de algumas semanas.2,3 Estudos mostram que normalmente 70% das mulheres ovulam no primeiro ciclo menstrual após descontinuar o uso da pílula, e 98% até o terceiro ciclo.2 Então não precisa se preocupar, a pílula não causa perda permanente de fertilidade.2

Uma mulher que toma pílula anticoncepcional está “economizando óvulos”?

A pílula anticoncepcional não impede o consumo de óvulos, então, mesmo quem faz uso desse método, continua “perdendo” em torno de mil óvulos por mês.4 Por isso, as mulheres que tomam pílula atingem a menopausa com a mesma idade daquelas que não tomam.4 Assim, uma alternativa segura para quem quer preservar a fertilidade é o congelamento de óvulos.4

Se você quer saber mais sobre como preservar sua fertilidade, consulte um médico especialista no assunto, o chamado fertileuta. A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) disponibiliza aqui uma lista de profissionais perto de você!

E o DIU? Interfere na fertilidade da mulher?

Muitas pessoas acreditam que o dispositivo intrauterino (DIU) de cobre é um dispositivo capaz de comprometer o futuro reprodutor.5 Esse método tem como principal mecanismo de ação a produção de um ambiente intrauterino espermicida.5 Porém, após sua remoção, há uma restauração desse microambiente, de modo que não deve haver demora na concepção.5 Ao contrário do que se pensa, o DIU não está associado à infecção levando à infertilidade.5

É claro que existem complicações associadas a esse método, como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP), mas elas podem ser evitadas com a seleção adequada de candidatas ao uso do DIU por médicos, do esclarecimento e conscientização sobre sua utilização correta e possíveis efeitos indesejáveis.5 Também é preciso tratar infecções preexistentes, inserir o dispositivo cuidadosamente e respeitar os métodos de assepsia.5 Ainda assim, se você tem dúvidas, o melhor a fazer é consultar o seu ginecologista e também o fertileuta, médico especializado em fertilidade.

Existe ainda uma mesma preocupação sobre o DIU hormonal, de que o método causaria maior risco de desenvolvimento de DIP e, consequentemente, infertilidade.6 No entanto, estudos têm mostrado que o uso de métodos intrauterinos não aumenta o risco de DIP.6

A injeção anticoncepcional afeta a fertilidade de maneira permanente?

Há ainda muitas mulheres que têm preocupações em relação ao retorno da fertilidade após pararem o uso de contraceptivos injetáveis devido ao seu efeito de longa ação.2 Mas podem ficar calmas que os injetáveis não têm impacto permanente na fertilidade, só é preciso esperar alguns meses para que as coisas voltem ao normal.2

Estudos mostram que, em média, a mulher volta a ovular normalmente dentro de 4 a 5 meses, com uma média de tempo de concepção de 5 a 7 meses.2 Também foi constatado que, dois anos após a última injeção, a fertilidade tende a se normalizar.2

Isso é algo que deve ser levado em conta para quem pensa em utilizar a injeção anticoncepcional, já que é recomendado o uso de um método alternativo caso a mulher queira engravidar antes disso.2 Se tiverem se passado dois anos e ainda exista dificuldade de engravidar, a mulher deve investigar outras possíveis causas de infertilidade.2 Vale lembrar que a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) disponibiliza uma lista de profissionais especializados no diagnóstico e tratamento da infertilidade.

Se os métodos contraceptivos não afetaram minha fertilidade, por que estou tendo dificuldades de engravidar?

É preciso ter em mente que sua fertilidade depende de muitos outros fatores que não têm nada a ver com anticoncepcionais, incluindo seu potencial reprodutivo preexistente e sua idade.2,4 Assim, na maioria dos casos de uso de métodos contraceptivos, você voltará a ser tão fértil como você seria se não tivesse usado esses métodos,3 levando em conta, é claro, o processo de envelhecimento e redução de fertilidade naturais.4

A idade é um dos fatores que mais afeta sua fertilidade.4 A marca dos 35 anos é importante, pois a partir dessa idade há uma grande diminuição da quantidade e qualidade dos óvulos.4 Muitas pessoas que tomaram a pílula por muito tempo e que agora estão tendo dificuldade para engravidar aos 30 e poucos anos, acabam achando que deve ser por conta da pílula. O fato é que é mais difícil para qualquer mulher engravidar com mais de 30 anos do que com 20 e poucos anos.3 Uma maneira recomendada de preservar a fertilidade, caso decida adiar a maternidade, é o congelamento de óvulos ou embriões, clique para saber mais.4

Referências

  1. EMBO Reports. A right for family planning. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1084027/. Acesso em julho de 2018.
  2. OBGYN. Impact of contraception on subsequent fertility. Disponível em: https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1576/toag.2002.4.3.151. Acesso em julho de 2018.
  3. Time. What woman need to know about birth control. Disponível em: http://healthland.time.com/2009/08/26/what-women-need-to-know-about-birth-control/. Acesso em julho de 2018.
  4. Hospital Sírio Libanês. Ginecologista, Dr. Joji Ueno, responde principais dúvidas sobre preservação da fertilidade. Disponível em: https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/imprensa/noticias/Paginas/Ginecologista,-Dr.-Joji-Ueno,-responde-principais-d%C3%BAvidas-sobre-preserva%C3%A7%C3%A3o-da-fertilidade.aspx. Acesso em julho de 2018.
  5. UFMA. Dispositivo Intra-Uterino. Disponível em: http://www.pppg.ufma.br/cadernosdepesquisa/uploads/files/Artigo%202(15).pdf. Acesso em julho de 2018.
  6. FEMINA. Contracepção de longo prazo: dispositivo intrauterino (Mirena). Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2015/v43nsuppl1/a4851.pdf. Acesso em julho de 2018.
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