Oncopreservação – Fertilidade

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Atualmente, milhões de pessoas estão vivendo com câncer ou já tiveram e trataram uma neoplasia. O risco de desenvolver vários tipos de câncer pode ser reduzido com mudanças no estilo de vida, por exemplo, não fumar, limitar o tempo de exposição ao sol, ser fisicamente ativo e manter uma alimentação saudável.

O Brasil deverá registrar 625 mil novos casos de câncer para cada ano entre 2020/2022, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer).

Por gênero, os tipos de câncer mais comuns em homens são próstata (29,2%), cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,1%) e cavidade oral (5%). Nas mulheres, o câncer de mama lidera (29,7%), seguido por cólon e reto (9,2%), colo do útero (7,4%), pulmão (5,6%) e tireoide (5,4%).1

Os recentes avanços na área da oncologia referentes ao diagnóstico precoce e à eficácia dos tratamentos de pacientes com câncer promovem a cura em considerável número de pessoas, muitas delas jovens e em idade reprodutiva.

Levando-se em conta não apenas a cura, mas também a qualidade de vida, a responsabilidade do médico oncologista torna-se ainda maior, pois ele deve estar atento à preservação da fertilidade deste paciente ou, do contrário, um futuro muito frustrante poderá acontecer.2

Quanto às mulheres, calcula-se também que, anualmente, 650 mil são atingidas pelo câncer invasivo e 8% delas (52 mil) têm menos de 40 anos. Estima-se que uma a cada 52 mulheres deverá ter câncer antes dos 39 anos3,4 e a cada ano mais mulheres jovens têm câncer, o que gera esta preocupação em preservar a fertilidade destes pacientes.5

Assim, é importante que o médico que trata o paciente com câncer tenha conhecimento das técnicas atuais para preservação da fertilidade, a fim de garantir, após a cura dos seus pacientes, a possibilidade de terem filhos e construírem suas famílias.2

Para os homens existe a possibilidade de congelamento do sêmen, onde é realizado um processo com técnicas bem estabelecidas e resultados confiáveis. O sêmen será congelado e armazenado por tempo indeterminado, podendo ser descongelado e utilizado no momento adequado.2

Também há possibilidade do congelamento de tecido testicular, embora o congelamento do sêmen seja uma opção simples e de fácil execução, o congelamento do tecido testicular pode oferecer uma opção a longo prazo, principalmente nos casos de alguns tumores que prejudicam a qualidade do sêmen.8,9 É ainda uma técnica experimental, mas pode, em alguns casos, ser a única opção.

As mulheres nascem com um número limitado de óvulos, devido a isso, a quantidade de óvulos diminui gradativamente a partir da primeira menstruação até chegar na menopausa quando já não existem mais óvulos disponíveis para serem fertilizados. 10,11

Porém, novas técnicas têm trazido esperança para preservar ou recuperar a fertilidade em meninas e mulheres que são submetidas a tratamentos de câncer. Entre elas estão o congelamento de embriões, tecido ovariano, óvulos e transposição dos ovários em caso de radioterapia.2,6

O Congelamento de óvulos é uma técnica muito importante por oferecer bons resultados de gravidez futura. A paciente deverá ser submetida a um tratamento de indução da ovulação semelhante ao da fertilização in vitro com a retirada dos óvulos e posterior congelamento.

Embora os pacientes possam se concentrar inicialmente em seu diagnóstico de câncer, os médicos e profissionais de saúde devem aconselhar os pacientes sobre as ameaças potenciais à fertilidade o mais cedo possível no processo de tratamento, de modo a permitir a mais ampla gama de opções para preservação da fertilidade.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Estimativa 2020 : incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. – Rio de Janeiro : INCA, 2019.
  2. Castellotti, Daniella S., & Cambiaghi, Arnaldo S.. (2008). Preservação da fertilidade em pacientes com câncer. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, 30(5), 406-410. https://doi.org/10.1590/S1516-84842008000500014
  3. Jemal A, Murray T, Samuels A, et al. Cancer statistics, 2003. CA Cancer J Clin. 2003;53(1):5-26.         
  4. Oktay KH, Yih M. Preliminary experience with orthotopic and heterotopic transplantation of ovarian cortical strips. Semin Reprod Med. 2002;20(1):63-74.         
  5. Bleyer WA. Cancer in older adolescents and young adults: epidemiology, diagnosis, treatment, survival, and importance of clinical trials. Med Pediatr Oncol. 2002;38(1):1-10.
  6. Larsen EC, Schmiegelow K, Rechnitzer C, et al. Radiotherapy at a young age reduces uterine volume of childhood cancer survivors. Acta Obstet Gynecol Scand. 2004;83(1):96-102.         
  7. Meirow D, Nugent D. The effects of radiotherapy and chemotherapy on female reproduction. Hum Reprod Update. 2001;7(6):535-43. 
  8. 8. Chapman RM, Sutcliffe SB, Malpas JS. Male gonadal dysfunction in Hodgkin’s disease. A prospective study. J Am Med Assoc. 1981;245(13):1323-8.        
  9. Vigersky RA, Chapman RM, Berenberg J, Glass AR. Testicular dysfunction in untreated Hodgkin’s disease. Am J Med. 1982;73(4):482-6.
  10. Wood JW. Fecundity and natural fertility in humans. Oxford Rev Reprod Biol. 1989;11:61-109.
  11. Menken J, Trussell J, Larsen U. Age and infertility. Science. 1986;233(4771):1389-94.
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