Querem Engravidar, mas não consegue?

Quando procurar ajuda médica para engravidar?

Antes de saber quando você deve buscar ajuda médica, é preciso entender o que é a infertilidade. A infertilidade é caracterizada quando um casal não consegue engravidar depois de um ano de tentativas sem proteção ou quando a mulher não consegue levar à gravidez adiante até o parto.1

A hora certa de buscar tratamento com um profissional especialista em fertilidade depende, entre outros fatores, da idade da mulher. Recomenda-se internacionalmente que mulheres com 35 anos ou mais busquem ajuda médica especializada depois de tentar engravidar por 6 meses sem sucesso, enquanto mulheres com menos de 35 anos após um ano.2 Mas isso não significa que você não possa ou deva visitar um médico antes disso se suspeitar que algo não está bem.

Vale ressaltar também que homens e mulheres diagnosticados com doenças que possam impactar na sua fertilidade, como câncer ou endometriose3,4 (no caso das mulheres), devem buscar um especialista em fertilidade sempre que possível antes do tratamento dessas doenças. Mesmo que vocês não estejam pensando ou tentando engravidar agora, o especialista pode acompanhar o tratamento e recomendar o melhor caminho para preservar a fertilidade para o futuro.

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) disponibiliza aqui uma lista de especialistas associados por cidade!

Afinal, de quem é o problema: meu ou de meu marido/minha esposa?

Quando um casal tenta engravidar sem sucesso, o problema não é de um ou de outro, é uma questão que o casal terá que superar junto pelo sonho de ter um bebê! Então, antes de apontar o dedo e culpar o outro, sejam parceiros na busca por ajuda médica, diagnóstico e tratamento adequados que possibilitem que vocês engravidem o quanto antes. Questões culturais e históricas levam muitas mulheres e homens também a acreditar que o problema é sempre delas.

Embora o sistema reprodutivo da mulher seja mais complexo, os homens também podem ter problemas de fertilidade. Mundialmente estima-se que cerca de 15% dos casais tenham dificuldade para engravidar. Em geral, 50% dos casos de infertilidade nos casais atingem as mulheres, de 20 a 30% os homens e os cerca de 20 a 30% restantes são resultantes de fatores combinados que atingem homens e mulheres.5

Mas lembre-se sempre: culpar o outro ou transferir a responsabilidade por não ter um bebê não vai ajudar vocês, ao contrário, só vai tornar ainda mais difícil realizar o desejo de ter um filho.

Quais tipos de tratamento é possível fazer para engravidar?

Ao contrário do que muita gente imagina, a grande maioria dos casais inférteis consegue engravidar sem ter que recorrer às técnicas de reprodução assistida. Em 85 a 90% dos casos, o tratamento se dá de forma convencional, com medicamentos e cirurgia.6

Entretanto, há casos em que as técnicas de reprodução assistida, como a inseminação artificial ou a fertilização in vitro, são fundamentais. Somente a equipe médica que acompanha o caso de vocês pode avaliar as particularidades e recomendar o melhor caminho a seguir!

O que é fertilização in vitro e para quem ela é indicada?

Antigamente, a fertilização in vitro (FIV) era indicada para tratar casos de infertilidades em mulheres que tinham bloqueio, dano ou ausência das trompas. Hoje, a FIV pode ser indicada para tratar diversas causas de infertilidade em casais, inclusive em casos quando a razão não é descoberta.7 Mães-solo e casais homoafetivos, por exemplo, também podem recorrer à FIV para realizar o sonho de ter um bebê.8

De forma bem simplificada, a FIV se inicia com a estimulação do ovário por meio de medicamentos para uma superovulação (maturação de muitos óvulos de uma vez só). Em seguida, esses óvulos são retirados e fertilizados com amostras de sêmen fornecidas pelo parceiro ou doadas. Por fim, os embriões gerados in vitro são colocados no útero da mulher para início da gestação. Os embriões também podem ser congelados para implantação futura.9

Qual a diferença entre o congelamento de óvulos e o congelamento de embriões?

O embrião é o óvulo já fecundado, ele está “pronto” para ser implantado no útero e gerar uma gravidez. No caso da fertilização in vitro, essa combinação do óvulo com o esperma acontece em laboratório.10 Muitos casais que buscam ajuda em uma clínica de fertilidade já estão tentando engravidar há algum tempo e querem um bebê o quanto antes. Apesar disso, há casais em diferentes situações e momentos da vida, que querem preservar sua fertilidade e manter a liberdade para tomar decisões no futuro sobre uma possível gravidez.

Mas como saber o que é melhor para você? Antes de tomar essa decisão, se informe sobre os prós e contras de cada opção. Considere, inclusive, que as coisas podem mudar e, eventualmente, você e seu(sua) parceiro(a) não estejam mais juntos no futuro, mas ainda queiram filhos – e nesse caso o congelamento de óvulos pode dar mais liberdade à mulher do que o congelamento de embriões (da mesma forma que o congelamento de sêmen para homens com infertilidade).

Não há uma resposta certa que se aplique a todos, mas essa decisão deve ser cuidadosamente pensada e discutida com o médico, mesmo por casais estáveis e felizes, uma vez que ela vai além de dilemas como o de uma eventual separação.

Quais as chances de engravidar com uma FIV?

Nós do Fertilidade no Meu Tempo já fizemos um post inteirinho sobre esse tema, já que ele é fundamental tanto para quem está começando quanto para quem já está em meio a um tratamento para engravidar. A verdade é que é mais provável que vocês não tenham um bebê na primeira tentativa de fertilização in vitro (FIV) do que o contrário.11 Mas fiquem CALMOS! As chances aumentam a cada tentativa, ultrapassando os 60% de sucesso.11 Vale muito à pena ter acesso à essas estatísticas, principalmente para entender que ninguém é necessariamente culpado pelo insucesso de uma FIV (nem você, seu médico ou a clínica…), e que esse é um resultado possível. Acreditamos que saber disso o quanto antes pode ajudar vocês a seguirem o tratamento firmes e fortes e a terem um bebê o quanto antes!3

Qual o risco de ter muitos bebês depois de uma FIV?

De acordo com uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), no Brasil há um limite de embriões que podem ser implantados a cada ciclo de fertilização in vitro, o que varia de acordo com a idade da mulher. Para mulheres de até 35 anos o limite são dois embriões; mulheres de 36 a 39 anos podem implantar até três; e a partir dos 40 até quatro.7 Como a gravidez de gêmeos ou mais pode trazer complicações tanto para a mãe como para os bebês, diversas pesquisas têm avaliado os benefícios e as taxas de sucesso da implantação de um único embrião. E a boa notícia é que as perspectivas são positivas.12 Então, fazer um tratamento de fertilização in vitro não significa que você obrigatoriamente terá uma gravidez múltipla – embora seja importante saber que isso pode acontecer, de acordo com o número de embriões implantados. Converse com seu médico e com seu parceiro(a), entenda os riscos, benefícios e taxas de sucesso das implantações únicas e múltiplas, para chegar à melhor decisão para o seu caso!

Referências

  1. NICHD. Infertility and Fertility. Disponível em https://www.nichd.nih.gov/health/topics/infertility. Acesso em 08/01/18 às 21:15.
  2. American Pregnancy Association. Fertility & Infertility FAQ. Disponível em http://americanpregnancy.org/infertility/fertility-faq/. Acesso em 08/02/2018 às 22:42.
  3. Fadhlaoui A, Bouquet de la Jolinière J, Feki A. Endometriosis and Infertility: How and When to Treat? Frontiers in Surgery. 2014;1:24.doi:10.3389/fsurg.2014.00024.
  4. Lambertini M, Del Mastro L, Pescio MC, et al. Cancer and fertility preservation: international recommendations from an expert meeting. BMC Medicine. 2016;14:1. doi:10.1186/s12916-015-0545-7.
  5. Agarwal A, Mulgund A, Hamada A, Chyatte MR. A unique view on male infertility around the globe. Reproductive Biology and Endocrinology : RB&E. 2015;13:37. doi:10.1186/s12958-015-0032-1.
  6. NICHD. What infertility treatments are available? Disponível em https://www.nichd.nih.gov/health/topics/infertility/conditioninfo/treatments. Acesso em 08/01/18 às 21:15.
  7. American Society for Reproductive Medicine. Assisted Reproductive Technology. Disponível em http://www.fertilityanswers.com/wpcontent/ uploads/2016/04/assisted-reproductive-technologies-booklet.pdf. Acesso em 25/02/18 às 21:17.
  8. Portal Médico – Conselho Federal de Medicina. RESOLUÇÃO CFM nº 2.121/2015. Disponível em http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2015/2121_2015.pdf. Acesso em 08/02/2018 às 23:15.
  9. NICHD. Assisted Reproductive Technology (ART). Disponível em https://www.nichd.nih.gov/health/topics/infertility/conditioninfo/treatments/ art. Acesso em 08/01/18 às 21:25.
  10. American Pregnancy Association. In Vitro Fertilization: IVF. Disponível em http://americanpregnancy.org/infertility/in-vitro-fertilization/. Acesso em 08/02/2018 às 22:42.
  11. Smith ADAC, Tilling K, Nelson SM, Lawlor DA. Live-birth rate associated with repeat in vitro fertilisation treatment cycles. JAMA. 2015;314(24):2654-2662. doi:10.1001/jama.2015.17296.
  12. Milne P, Cottell E, Allen C, Spillane H, Vasallo J, Wingfield M. Reducing twin pregnancy rates after IVF—elective single embryo transfer (eSET). Ir Med J. 2010 Jan;103(1):9-11.
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